Desde pequeno que me senti atraído pelo momento de fotografar. Numa altura em que a Internet não estava acessível, aprendi sozinho, estudando livros e revistas e trocando ideias com amigos. Pouco conhecia da História da Fotografia; a minha referência seria a National Geographic que folheava avidamente nas bibliotecas, mais interessado nas fotografias do que no conteúdo dos artigos. A minha fotografia foi, assim, algo parecido com a reportagem de passeios e férias, sempre tentando a espetacularidade da NG, mas sem nunca a ela me aproximar.

Peninha, 2007

Por volta de 2007 dois fotógrafos influenciaram fortemente a minha forma de ver a Fotografia. Num primeiro momento, a amizade com o Pedro Inácio, que me fez ver a Fotografia como uma Arte e não como apenas uma ferramenta de registar momentos. A fotografia do Pedro identifica-se pelo seu minimalismo (recorrendo regularmente a longas exposições), rigor de tratamento e acabamento a p&b. Fui muito influenciado por ele nesta fase; fotografávamos juntos, usando máquinas digitais.

Castelo Branco, 2007

Depois, um encontro fortuito com o Nanã Sousa Dias, que foi meu professor em várias formações, incluindo Fotografia de Paisagem, Retrato e técnicas de revelação e impressão tradicionais. Esta relação tornou-se em amizade, e moldou a minha visão desta Arte. Experimentei a fotografia em filme, nomeadamente em médio formato, com temas diversos.

Monsanto, Castelo Branco, 2007

Ténis, Alcobaça, 2008

Foram estes os anos em que mais aprendi; estudei os grandes fotógrafos e criei referências. A paixão pelo filme cresceu, e acabei por aprender a utilizar máquinas de grande formato (4x5"). A possibilidade de eliminar convergências de linhas e de mudar os planos de focagem fascinou-me, dando origem a fotografias em que me exigia grande rigor técnico.

Capela de S. Sebastião, Ericeira, 2010

Continuei também a tentar fotografar paisagens, mas nunca consegui o impacto que sentia nas fotografias do Nanã.

São Lourenço, Ericeira, 2012

Em parelelo, e no contexto da amizade que se criou com a Mónica Martins e o José Carlos Nero, eu e a Ana Carmo participámos num projeto que veio a denominar-se Adegas de Palmela. Um passeio a uma adega, na Quinta do Anjo, acabou por se transformar num projeto que envolveu várias adegas e tabernas da região, e que mereceu a atenção e apoio da Câmara Municipal de Palmela, estendendo-se de 2008 a 2012. Realizámos várias exposições e publicações, podendo o detalhe deste projeto ser visto na página de projetos.

Taberna "A Parreirinha", Palmela, 2009

Adega José Maria da Fonseca, Azeitão, 2009

Com laboratório tradicional montado em casa, dediquei muito tempo a aperfeiçoar a impressão tradicional. Em 2013 eu e a Ana Carmo tivémos a oportunidade de expor as nossas impressões na Ericeira, no Parque de Santa Marta. O detalhe pode ser visto na página de projetos.

São Lourenço, Ericeira, 2012

Seguiu-se um período de menor produção, principalmente devido às ocupações profissionais. O trabalho em filme e impressão em laboratório são processos que exigem tempo e dedicação, e acabaram por se tornar um "peso" difícil de enfrentar quando o tempo é curto. Assim, acabei por regressar ao digital e, simultaneamente, optei por uma abordagem mais simples à fotografia. Escolhi uma máquina, uma lente fixa, o mínimo de filtros (normalmente, nenhum) e prescindi do tripé; alguma perda acaba por ser compensada pela facilidade em transportar o equipamento e consequente mobilidade, permitindo assim a captura de momentos que, de outra forma, nunca teriam surgido. Mantive a conversão a p&b, por entender que este, sendo uma abstração adicional sobre a realidade, me permite processamentos que valorizam as imagens.

Sintra, 2014

Sintra, 2015

Óbidos, 2015

Mesmo assim, em muitos momentos a SLR é demasiado volumosa para me acompanhar. Dado os avanços recentes na tecnologia dos telemóveis, decidi experimentar a utilização deste para capturar aquelas imagens que, no dia a dia, me chamam a atenção. Pretendia algo descontraído, sem rigores técnicos, qual bloco de rascunhos que poderiam, quiçá, resultar em trabalhos mais cuidados posteriormente. Assim, durante alguns meses, fui capturando momentos com o telemóvel:

Lisboa, 2015

Maçussa, Cartaxo, 2015

Mais recentemente, e tentando ganhar mobilidade nas caminhadas e ter sempre uma boa máquina comigo, optei por utilizar uma compacta de alta qualidade (no caso, a Ricoh GR II). Passou a acompanhar-me diariamente, e a facilitar as deslocações em terreno mais complicado, substituindo assim quer a reflex quer o telemóvel:

Foz do Arelho, 2016

Não consigo estabilizar uma página de portfolio, talvez porque o meu entendimento da Fotografia vai mudando com o tempo. Neste momento, o que me agrada fazer pode ser algo que rejeito liminarmente amanhã; a minha coerência reside em ter prazer a fotografar, seja qual for o tema ou a técnica. Este espaço pretende divulgar o que vou fazendo, e eventualmente servir de inspiração para que outros não desistam de procurar o seu caminho.

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